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Individualidade Metabólica

A transição epidemiológica, demográfica e nutricional nos trouxe além de maior expectativa de vida, a obesidade e uma variedade de alimentos processados, com baixo valor nutricional e alto valor energético. Nosso corpo é uma máquina perfeita e os alimentos que ingerimos funcionam como operadores dessa máquina e determinam seu funcionamento. Cada organismo humano possui complexidade individual que pode ser determinada pela idade, estilo de vida, características psicológicas e metabólicas. Entender o conceito de individualidade é imprescindível para o tratamento de diversas doenças e principalmente para traçar uma conduta dietoterápica. Existem doenças que estão diretamente ligadas a esses gatilhos metabólicos, uma delas é a Síndrome Metabólica (SM) que é compreendida por um transtorno complexo traduzido por uma junção de fatores de risco cardiovasculares relacionados, normalmente pelo acúmulo de tecido adiposo na região abdominal, altos níveis de triglicérides, colesterol HDL baixo, hipertensão e pela resistência à insulina. Por ser compreendida como um grupo de fatores de risco inter-relacionados é importante entender a correlação entre esses aspectos individualmente para melhor tratamento.
A obesidade visceral ou central (abdominal) representa o gatilho preponderante da SM. O acúmulo de gordura nesta região está relacionado a diversos problemas metabólicos plasmáticos característicos desta síndrome, como a resistência à insulina e diabetes mellitus tipo II, além disso, pode provocar aumento da secreção da angiotensina que aumenta ainda mais o risco de hipertensão. Ocorre também, aumento da secreção de citocinas pró-inflamatórias, aumento de triglicerídeos (TG) que pode comprometer a viscosidade sanguínea, aumentando o risco cardiovascular, ademais ocorre redução do colesterol HDL, que é fundamental para realizar o transporte reverso do colesterol e que apresenta também efeitos anti-inflamatórios, antioxidantes e vasodilatadores. Esses fatores juntos comprometem a saúde do indivíduo, piorando seu prognóstico. O protocolo de tratamento é realizado com uso de medicamentos (hipoglicemiantes, anti-hipertensivos e hipolipemiantes), mudança nos hábitos alimentares e prática de atividade física. Levando em consideração a individualidade metabólica a suplementação pode otimizar os resultados do tratamento.
• Probióticos: O intestino humano hospeda enorme número e variedade de micro-organismos que são importantes contribuintes para a saúde do hospedeiro, a utilização de probióticos auxilia tanto da melhora da permeabilidade intestinal, quanto na regulação de fatores que predispõe a obesidade, além disso, a microbiota intestinal pode exercer influencia no comportamento alimentar e no sistema nervoso central (SNC) participando da regulação central do apetite e saciedade.
• Glutamina: É um aminoácido altamente requisitado pelas células intestinais e é responsável pela integridade dos enterócito, o que influencia diretamente na diminuição da permeabilidade intestinal.

• Arginina:  Grande parte dos comprometimentos do sistema cardiovascular e endócrino-metabólico está diretamente ligada à produção de óxido nítrico e sua biodisponibilidade. A L- arginina é um aminoácido percursor para a síntese do óxido nítrico (NO), estudos mostram que pacientes com doença arterial coronariana  submetidos à suplementação de L-arginina, melhorou a sensibilidade à insulina e tolerância à glicose, bem como melhora na função endotelial.

• Cromo: Mineral traço essencial que participa ativamente do metabolismo de carboidratos, principalmente aumentando a sensibilidade à insulina, melhorando a tolerância à glicose.

• Coenzima Q10: Potente antioxidante que participa da produção de energia na mitocôndria, possui propriedades anti-inflamatórias, podem eliminar os radicais livres e restaurar a defesa antioxidante, bem como suprimir as respostas inflamatórias. Os efeitos benéficos da suplementação foram notados para a maioria dos sintomas da síndrome metabólica, por exemplo, hipertensão, diabetes, doenças do fígado, resistência à insulina e obesidade.

• Ômega 3: É preconizado como protocolo para tratamento da síndrome metabólica o uso de ômega 3. Ele age reduzindo a hipertrigliceridemia por diminuir a produção das VLDL no fígado, de modo que podem ser utilizados como terapia coadjuvante nas hipertrigliceridemias, além disso ômega 3 regula adipogênese é antitrombótico e vasodilatador.
• Whey Protein: É uma rica fonte de aminoácidos, que podem estimular diretamente as células β-pancreáticas a secretar insulina, o que contribui para a redução da glicemia pós-prandial, ademais, as proteínas do leite possuem peptídeos que inibem a ação da enzima conversora de angiotensina (ECA), que por sua vez está envolvida no sistema renina-angiotensina, atuando na redução da pressão arterial, tanto sistólica como diastólica.

A adequação da alimentação e suplementação deve ser realizada de maneira individualizada, levando em considerações as características particulares metabólica do paciente. Procure um nutricionista para traçar uma melhor estratégia que se adeque ao seu estilo de vida.

Este texto foi escrito por Camile Santiago, integrante da equipe de nutrição da SNC-Salvador, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail: nutricao@sncsalvador.com.br. Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador).

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