As frutas engordam?

Nos últimos anos o conceito de beleza sofreu inúmeras variações e com isso a saúde tem sido atrelada à ideia de corpo perfeito. Estudos apontam que o crescimento da obesidade está associado à modificação do perfil alimentar dos brasileiros e à inatividade física. A transição alimentar tem como principais características a redução do consumo de frutas, hortaliças e leguminosas, e o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em gorduras e açúcares.
Esses açúcares são aqueles adicionados intencionalmente com objetivo de proporcionar sabor mais agradável, melhor textura e cor. Incluem-se nesta classe, o açúcar refinado e mascavo, mel, melaço e em especial os derivados da frutose, o xarope de milho e os adoçantes a base de frutose.
A frutose é um monossacarídeo pertencente ao grupo dos carboidratos, predominantemente presente nas frutas, representando cerca de 1% a 2% da composição total das frutas. Além disso, a frutose pode ser encontrada em vegetais e leguminosas, na constituição da sacarose (açúcar de mesa) e nos alimentos ultraprocessados.
A partir da década de 70 o isolamento da frutose levou à introdução comercial de xaropes derivados de amido, ricos em frutose. A melhoria nos processos de obtenção possibilitou a redução dos custos de produção. Além disso, o maior poder de doçura, quando comparado à sacarose, contribuiu para o sucesso de sua utilização em diferentes classes de produtos, em especial as bebidas adoçadas, como sucos e refrigerantes; salgadinhos; doces; geleias e produtos de panificação.
A absorção da frutose acontece nos enterócitos (células intestinais), sem a necessidade de estímulo a insulina. São transportadas via corrente sanguínea até o fígado, e nas células do fígado são metabolizadas. No final, podem seguir para diferentes vias metabólicas, como para a formação de triacilgliceróis e fosfolipídeos (gorduras); participar da via glicolítica, liberando energia; ou formar glicose ou glicogênio.
O consumo de açúcares pelos brasileiros, proveniente de alimentos processados, representa em média 20% do valor energético total diário, enquanto a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que o consumo não exceda 10% da energia total diária. Estima-se que o consumo de frutose livre, proveniente de frutas e vegetais, seja em média de 4,34g/dia e a quantidade de frutose provinda de alimentos ultraprocessados seja de 27,5g/dia. Por isso, a frutose tem sido recentemente foco de muitos estudos, como um possível contribuinte da atual epidemia de doenças metabólicas.
Nenhum alimento pode ser responsabilizado pelo processo de ganho ou perda de peso, pois o contexto deve ser analisado. Assim, entende-se que ingestão moderada de frutose presente nos alimentos naturais tem efeitos benéficos à saúde, pois as frutas são alimentos nutritivos e de fácil acesso, ricas em vitaminas e minerais que vão auxiliar o metabolismo corporal e atuar como antioxidantes, além de proporcionar maior disposição e bem-estar. Entretanto, é importante salientar que o crescente aumento do consumo de frutose a partir de adoçantes, refrigerante e produtos ultraprocessados em geral, aumenta a possibilidade de produção de gordura, maior risco para obesidade e distúrbios metabólicos, pois estão em maiores quantidades e por isso devem ser evitados.
Este texto foi escrito por Helen Costa, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail nutricao@sncsalvador.com.br. Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador)

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