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Proteínas e Saúde Renal

Diante do aumento da prevalência da obesidade e de suas comorbidades associadas, além de um novo padrão de beleza, que privilegia corpos definidos e hipertrofiados, tem sido estudadas diversas medidas dietéticas que visam o controle do peso e o aumento de massa muscular.

A RDA (Recommended Dietary Allowance) estabelece que a recomendação de proteínas para indivíduos saudáveis é entre 0,8 a 1,0 g/kg de peso/dia. Para atletas de força e endurance, no entanto, a American College of Sports Medicine recomenda uma ingestão de 1,2 a 1,7 g/kg de peso/dia. Nesse contexto, as dietas hiperproteicas vêm ganhando destaque como uma boa estratégia para atingir tais objetivos. Consequentemente, tem se tornado crescente o interesse da ciência em avaliar os impactos da ingestão de uma maior quantidade de proteína em nosso organismo, sobretudo na saúde dos rins, órgãos responsáveis pela filtração do sangue, através dos glomérulos, e formação de urina.

As proteínas que ingerimos em nossa dieta são degradadas, pelo processo digestivo, em aminoácidos e, ao contrário do que acontece com carboidratos e lipídeos, eles não são armazenados pelo nosso organismo. Portanto, o que não for utilizado, é excretado pela urina. Isso ocorre a partir de processos de transaminação e desaminação dos aminoácidos, onde uma parte de sua estrutura é transformada em amônia. Por se tratar de um composto tóxico, a amônia participa de um ciclo, convertendo-se em ureia, que segue para os rins, sendo expelida na urina.

Se consumirmos uma maior quantidade de proteínas, entende-se, portanto, que mais ureia precisará ser produzida e, posteriormente, excretada pelos rins. De fato, já está muito bem estabelecido cientificamente que a ingestão de proteínas modula a hemodinâmica renal de forma significativa, por aumentar a taxa de filtração glomerular (TFG) e o fluxo sanguíneo renal de forma aguda. Porém, acreditava-se que tais alterações, decorrentes do aumento da ingesta proteica, seriam capazes de sobrecarregar os rins e causar danos em sua função.

O que os estudos mais recentes têm mostrado é que esse aumento da função renal se trata de um mecanismo adaptativo, que não apresenta riscos aos rins de indivíduos saudáveis, sob as condições avaliadas até então. Como exemplo disso, tem-se a função renal durante a gravidez, onde a TFG é aumentada em 65%, retornando aos níveis normais em aproximadamente três meses após o parto e, apesar de tais alterações hemodinâmicas, a gravidez não é fator de risco para complicações renais.

É importante ressaltar que tais conclusões foram feitas em indivíduos saudáveis, não se estendendo a pacientes de doença renal crônica ou portadores de outras adversidades na função dos rins. Por fim, deve-se sempre destacar a individualidade biológica e a importância de se avaliar as particularidades de cada um.

Este texto foi escrito por Júlia Canto, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido.
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