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Cafeína x Hipertensão

A hipertensão arterial (HAS) é uma doença crônica não transmissível (DCNT), o problema mais comum de saúde em escala mundial que acomete grande parte da população, sendo atrelada a uma menor expectativa de vida. Estima-se que 25% da população mundial terá HAS até o ano de 2025. Segundo a Sociedade Brasileira de Hipertensão, ter pressão alta significa que ela esteja, sistematicamente, maior ou igual a 14 por 9 mmHg. O controle ou prevenção da hipertensão está diretamente atrelado à dieta, estilo de vida e composição corporal, já que o consumo de bebidas alcoólicas e alimentos ultraprocessados, ricos em sais, açúcares e gorduras, associados ao sedentarismo e excesso de peso são fatores de risco para o desenvolvimento da doença.

O café é a bebida não-alcoólica mais consumida no mundo, fazendo parte do hábito diário de milhões de pessoas. Da família das metilxantinas a cafeína é a principal substância bioativa do café, podendo ser encontrada também em alguns chás, refrigerantes, chocolate e bebidas energéticas. A cafeína é amplamente utilizada por suas propriedades psicoativas e estimulantes. Essa substância utilizada isoladamente em altas doses pode provocar efeitos adversos como perturbações gastrointestinais, tremores, dores de cabeça e insônia, além de induzir palpitações, ou até arritmias cardíacas, sugerindo efeito potencialmente hipertensivo. Sendo assim, tanto o consumo de café quanto a ocorrência da pressão arterial elevada são situações prevalentes nas sociedades ocidentais, mas será que existe uma correlação entre esses dois fatores?

Estudos experimentais discutem os efeitos da ingestão de café. Duas xícaras de café com 150 ml, contendo 120 mg de cafeína são responsáveis por alterações agudas e temporárias, como aumento da pressão sistólica e diastólica e leve diminuição da frequência cardíaca, efeitos atribuídos à cafeína, pois o mesmo não ocorre após a administração de café descafeinado. No entanto, existem evidências que os efeitos agudos da cafeína na pressão arterial de indivíduos habituados ao consumo de café são atenuados, em resposta a um mecanismo adaptativo, dentro de 3 a 5 dias. Além disso, o café e outras fontes naturais de cafeína como o cacau e chá verde são compostos por outras substâncias bioativas de efeitos benéficos, como é o caso dos flavonoides, fenóis e catequinas que compensam os efeitos adversos da cafeína. Estudos demostraram que a utilização de suplementos termogênicos contendo diversas fontes naturais de cafeína (extrato de guaraná, Citrus aurantium, extrato de chá verde e erva mate)  não alteraram a função cardiovascular dos indivíduos saudáveis.

Apesar destas fontes de cafeína não serem correlacionadas com a origem da hipertensão, é preciso avaliar o consumo em pessoas que já possuem este quadro de acordo a sensibilidade à cafeína e objetivo empregado. Portanto, para utilização da cafeína por hipertensos de forma isolada ou em altas doses é importante um acompanhamento com o profissional de saúde especializado para melhor orientação e controle da doença.

Este texto foi escrito por Jannine Dantas, integrante da equipe de Nutrição da SNC-Salvador, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail: nutricao@sncsalvador.com.br. Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador).

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