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Vegetarianismo e Peculiaridades

A dieta vegetariana conquista adeptos há vários anos. Os principais motivos para escolha de dietas vegetarianas estão relacionados à saúde, à ética e aos direitos dos animais, ao meio ambiente, à fome, à economia e à religião. Também pode ser chamada de dieta pitagórica, pois Pitágoras defendia a prática de uma alimentação sem carne através de três pontos: veneração religiosa, saúde física e responsabilidade ecológica.

Muitas pesquisas indicam que a prevalência de doenças crônicas é menor entre vegetarianos, enquanto outros abordam os aspectos negativos, apontando que as dietas vegetarianas mal planejadas podem gerar uma série de inadequações nutricionais, principalmente em indivíduos em fase de rápido crescimento.

A posição da American Dietetic Association (Associação Dietética Americana) e da Dietitians of Canada (Nutricionistas do Canadá) é que dietas vegetarianas corretamente planejadas são saudáveis, adequadas em termos nutricionais e trazem benefícios para a saúde na prevenção e no tratamento de determinadas doenças e assim como qualquer dieta praticada, seja vegetariana ou onívora, apresenta seus pontos positivos e os aspectos negativos, caso ocorra um mal planejamento, devem ser atentados.

O vegetarianismo abrange ampla variedade de práticas dietéticas com diferentes implicações para a saúde.
Deste modo, há diferentes definições e fundamentações das práticas vegetarianas, como, por exemplo: a dieta vegan, que não contém nenhum produto de origem animal e a lactoovovegetariana (LOV), que inclui produtos lácteos e ovos.

Segundo a Sociedade Brasileira Vegetariana, vegetarianismo é o regime alimentar segundo o qual nada que implique em sacrifício de vidas animais deva servir à alimentação. O regime vegetariano não é exclusivamente vegetal e seu nome não se origina de alimentação vegetal e, sim, do latim vegetus que significa “forte”, “vigoroso”, “saudável”.

A adoção de dieta vegetariana tem sido associada a diversos benefícios para a saúde da população humana, como baixas concentrações de lipídios séricos, baixos níveis de adiposidade corporal e menor incidência de mortes por isquemia do miocárdio, diabetes mellitus e certos tipos de câncer, além de uma maior expectativa de vida.

Em contrapartida, a dieta vegetariana desbalanceada ou restritiva, particularmente em situações de altas demandas metabólicas (como durante o exercício), pode provocar deficiências nutricionais.

Os vegetarianos restritos ou veganos, são os que mais devem se atentar a deficiência de alguns macro e micronutrientes, as proteínas vegetais por exemplo, embora algumas como a da soja consiga ter um valor biológico parecido com as proteínas animais, sua digestibilidade é baixa, o que faz com que um vegano necessite de maiores quantidades proteicas. A ausência de alguns aminoácidos essenciais em determinadas proteínas de origem vegetal também deve ser observada, contudo uma simples combinação de alimentos vegetais complementares, seria a resolução deste entrave.

Alguns micronutrientes especificamente é necessário maior atenção. Como o zinco que possui sua biodisponibilidade reduzida na presença do ácido fítico, substância encontrada na maioria dos vegetais. O ferro que embora a ingestão pelos vegetarianos seja abundante através dos folhosos verdes escuros, grãos integrais e frutas secas, este se apresenta na forma não heme que possui menor absorção do organismo. Ressalta-se também a importância da suplementação de vitamina B12 aos veganos, devido a esta vitamina está presente em alimentos de origem animal. Neste contexto é interessante se atentar também a vitamina D, pois sua fonte alimentar é prioritariamente animal, assim durante o inverno quando há a menor exposição solar essa reposição deve receber ainda mais atenção.

Outro aspecto relevante é quanto aos ácidos graxos polinsaturados. As dietas vegetarianas costumam ser ricas em ácidos graxos ômega-6, principalmente o ácido linoléico, e serem pobres em ácidos graxos ômega-3. O Ômega 3 deve ser utilizado em maior quantidade pelos veganos, especialmente devido ao fato de uma menor conversão de ácido linolênico (ALA) em ácido eicosaentaenóico (EPA) e docosaexaenóico (DHA). Entretanto, existem excelentes fontes vegetais de ômega-3 como: óleo e sementes de linhaça, óleo de canola, óleo de soja, nozes, óleo de nozes e algumas microalgas que afetam de forma positiva o nivel sanguíneo de DHA (ácido docosahexaenóico) e EPA (ácido eicosapentanóico).

De acordo com as publicações científicas atuais, a prática vegetariana pode proporcionar diversos benefícios à saúde humana, desde que bem planejada para atender às necessidades nutricionais.

Busque orientação com nutricionista, ele é o profissional mais capacitado para equilibrar sua alimentação seja ela vegetariana ou onívora.

Este texto foi escrito por Suélika Carvalho, integrante da equipe de Nutrição da SNC-Salvador, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail: nutricao@sncsalvador.com.br. Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador).

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