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Gene FTO x Obesidade

A obesidade tem se tornado um problema de saúde emergencial, afetando milhares de pessoas em todo o mundo e com uma prevalência cada vez maior. Seus impactos na saúde são grandes e, junto ao excesso de peso, outras complicações podem estar associadas.

Esse perfil epidemiológico tem gerado uma inquietação no meio científico, que vêm buscando alternativas e estratégias, sobretudo nutricionais, para controlar a obesidade e suas implicações na saúde dos indivíduos. Atualmente, novos paradigmas de investigação na genética têm demonstrado a importância da interação entre gene e nutriente, a fim de possibilitar uma melhor compreensão de como a nutrição pode influenciar as funções orgânicas e metabólicas do indivíduo.

Existem dois termos que são a base para essas pesquisas; a Nutrigenética, que busca entender de que forma o genótipo influencia na resposta a um estímulo nutricional, e a Nutrigenômica, que avalia a influência dos nutrientes e compostos bioativos na expressão gênica. Ambas possuem um potencial facilitador na prevenção de doenças crônicas, através de uma maior individualização da conduta dietética.

Diversos estudos têm estreitado a relação entre genética e obesidade. Descoberto em 2007, o gene FTO está localizado no cromossomo 16 e é um dos mais discutidos dentro dessa abordagem.

Apesar de a sua função e mecanismos de ação ainda não serem bem esclarecidos, as evidências apontam que a presença do alelo A nesse gene está associada a um maior IMC. Isso tem sido relacionado com um aumento na ingestão calórica, sobretudo gorduras e proteínas, aumento do apetite e redução da saciedade. Apesar de ser expresso de forma ubíqua em todos os tecidos, o gene FTO atinge uma maior nível de expressão no hipotálamo, mais especificamente na região tecidual que controla a ingestão alimentar, indicando uma influência desse gene na regulação da fome.

A importância de uma alimentação equilibrada, com uma adequada distribuição de macronutrientes e a devida oferta de vitaminas e minerais tem sido validada por diversos estudos que buscam compreender de que forma a nutrição é capaz de modular o gene FTO. Destaca-se, principalmente, a manutenção da proporção entre a ingestão de gorduras insaturadas e saturadas. Além disso, a prática regular de atividade física também está relacionada com o controle da expressão desse gene.

As evidências fundamentam a importância da adoção de um estilo de vida saudável na modulação do gene FTO e, sobretudo, o potencial da Nutrigenômica na promoção de prescrições cada vez mais individualizadas, principalmente quando o assunto é obesidade e doenças crônicas associadas.

Este texto foi escrito por Júlia Canto, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido.
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