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Óleo de Coco: evidências ou inferências?

No Brasil, o excesso de peso acomete 50% da população adulta e as doenças crônicas não transmissíveis são as principais causas de morte da população. Os maus hábitos alimentares e o sedentarismo são importantes condicionantes deste panorama.
As gorduras sempre foram consideradas vilãs na gênese da obesidade, porém, estas exercem papel essencial na homeostase. Atualmente muitas dietas high fat (alto teor lipídico) e suplementos lipídicos são utilizados com o objetivo de emagrecimento e melhora da composição corporal, dentre esses suplementos destaca-se o óleo de coco.
O óleo de coco, extraído por técnicas de prenssagem, é uma gordura saturada e tem consistência líquida em temperatura ambiente devido à predominância de triglicerídeos de cadeia média, que representam 70-80% da composição. Os triglicerídeos de cadeia média (TCM), tipo de gordura saturada, constituídos por três ácidos graxos ligados a uma molécula de glicerol, com uma cadeia de seis a doze moléculas de carbono. Possuem velocidade de absorção mais rápida quando comparados aos de cadeia longa, pois utilizam a circulação portal para chegar ao fígado. Além disso, seu transporte para dentro da mitocôndria não necessita da ação da carnitina.
Os TCM são quebrados rapidamente pelas enzimas salivares e do suco gástrico, sem a necessidade da secreção das enzimas pancreáticas, não são incorporados às lipoproteínas, são absorvidos e transportados diretamente pela circulação portal ligados a albumina. São facilmente esterificados e por isso não participam do processo de síntese de colesterol e não são preferencialmente estocados, devido ao seu rápido processo de metabolização.
Por apresentar essas propriedades, o óleo de coco tem sido proposto como possível auxiliador no controle de peso a partir do estímulo à termogênese, aumento do gasto calórico e maior promoção de saciedade. Porém as evidências científicas ainda não sustentam essas funcionalidades. Alguns estudos observam a redução de circunferência abdominal sem redução de percentual de gordura total, o que implica em um processo de redistribuição da gordura corporal e não necessariamente o emagrecimento.
Assim, é possivel concluir que os benefícios à saúde derivados do consumo óleo de coco ainda são controversos e pouco elucidados. Porém, é necessario considerar a individualidade biológica de cada individuo e suas respostas clínicas, respeitando as estrategias utilizadas por cada profissional.
Este texto foi escrito por Helen Costa, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail: nutricao@sncsalvador.com.br. Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador).

 

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