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Cafeína e Emagrecimento

Atualmente a perda de peso tem se tornado um objetivo comum tanto para praticantes de atividade física, como indivíduos sedentários. O emagrecimento é o resultado de um balanço energético negativo, que pode ser obtido através de uma dieta baixa em calorias e/ou ao adotar estratégias para aumentar o gasto energético. Para isso, muitos indivíduos buscam fazer dietas restritivas ou utilizar produtos ergogênicos, porém nem sempre com acompanhamento de um profissional responsável.

Dentre essas estratégias, a cafeína é considerada como a droga mais consumida mundialmente, podendo ser ingerida naturalmente através de cafés, chás, energéticos, chocolates, refrigerantes, dentre outros alimentos ou na sua forma anidra. Níveis elevados podem aparecer na corrente sanguínea dentro de 15-45 minutos e sua excreção é realizada pelos rins, com cerca de 3-10% eliminados na urina. Quando manipulada em doses corretas e individualizadas a cafeína pode trazer diversos benefícios, inclusive efeitos estimulantes e ergogênicos.

Um dos principais locais de ação da cafeína é o sistema nervoso central (SNC), agindo como antagônico da adenosina ao competir pelos mesmos receptores. Embora suas estruturas sejam semelhantes, a adenosina tem efeito calmante, enquanto que a cafeína permite que as atividades do organismo sejam aceleradas, liberando catecolaminas, como a adrenalina e aumentando o gasto energético. As catecolaminas também têm um efeito direto sobre a expressão gênica de diferentes proteínas de desacoplamento (UCPs), que influenciam na termogênese pela produção de calor.

A cafeína também é capaz de inibir a enzima fosfodiesterase, responsável pela degradação do AMPc. O aumento do AMPc intracelular ativa a proteína cinase A, estimula a lipase hormônio sensível e aumenta a taxa de lipólise. Por sua vez, a mobilização de ácidos graxos pode favorecer sua utilização como substrato energético, poupando o glicogênio muscular. Baixas concentrações de glicogênio muscular estão diretamente envolvidas com o processo de fadiga, o que pode prejudicar o rendimento esportivo.

Além disso, acredita-se que a cafeína pode atuar reduzindo o limiar de excitabilidade e prolongando o período ativo da contração muscular por aumentar a permeabilidade do retículo sarcoplasmático aos íons de cálcio, inibir sua recaptação, tornando o íon mais disponível. Assim, a sensibilidade das miofibrilas é aumentada, resultando na otimização da contração muscular.

Atualmente é reconhecida a importância da cafeína como um recurso ergogênico, no entanto, para o emagrecimento é importante considerar que ainda que o gasto energético aumente, o resultado final só será atingido se o mesmo for superior ao consumo energético. Quanto aos ácidos graxos, promover maior disponibilidade na corrente sanguínea não garante que esse substrato seja utilizado como fonte energética. Por isso, a cafeína pode ser um grande aliado quando combinado a outras estratégias. Sua dose recomendada é de 3-6 mg/kg para que traga benefícios sem promover efeitos colaterais. Por outro lado, altas doses podem ser consideradas tóxicas ao organismo.

Este texto foi escrito por Camila Rheinschmitt, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail nutricao@sncsalvador.com.br
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