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L-Carnitina X Pacientes Renais

A L-carnitina é uma amina quaternária (levocarnitina; 3-hidroxi-4-N-trimetilaminobutirato) encontrada em todos os mamíferos. Sua principal função no organismo está relacionada com o processo energético, visto que esta substância é responsável pelo transporte de ácidos graxos de cadeia longa do citosol até a mitocôndria, facilita assim sua oxidação e auxilia na produção de ATP.

A L-carnitina pode ser adquirida por síntese endógena ou através da alimentação. A síntese endógena de carnitina é realizada a partir de dois aminoácidos essenciais, lisina e metionina, e para a sua formação é necessária a presença de ferro, ácido ascórbico, niacina e vitamina B6. Na alimentação, os alimentos cárneos são as maiores fontes de carnitina, 100g de carne vermelha possui cerca de 95.3mg de carnitina, enquanto que, o aspargo cozido, que é a fonte vegetal mais rica em carnitina, possui somente 0.185mg.

A concentração orgânica de carnitina é de aproximadamente 120mmol e esta é sintetizada principalmente no fígado e nos rins. Por ter sua função principal relacionada com B-oxidação, a utilização de maneira suplementar está muito relacionada com o processo de emagrecimento, contudo, a aplicabilidade da carnitina é mais vasta e sua utilização na prática clínica vai além do que melhora na composição corporal.

A relação dos níveis de carnitina na doença renal é consequência do tratamento dialítico. A diálise no paciente renal pode levar a perdas de alguns nutrientes importantes para o organismo, como as proteínas e, particularmente, a carnitina. Em condições normais os rins absorvem 100% a carnitina livre, sendo as perdas urinárias na forma de éster de carnitina e acilcarnitinas. Durante as sessões de diálise há uma perda de cerca de 80% da concentração plasmática de carnitina, logo, há uma liberação de carnitina pelos músculos que, com o tempo, também são depletados e interferem no processo energético.

O paciente renal submetido a hemodiálise por longos períodos, também pode desenvolver deficiência de carnitina por outras causas, como: redução da ingestão de carnes vermelhas (ricas em carnitina), capacidade de síntese renal reduzida, transporte alterado, redução das atividades de enzimas do sistema carnitina e aumento das necessidades deste nutriente. Toda essa redução dos níveis de carnitina pode causar alterações clínicas importantes como: fraqueza muscular, miopatia, perda de proteína corporal e caquexia, resistência insulínica e intolerância a glicose, anormalidades do metabolismo lipídico, anemia refratária ao tratamento com eritropoetina, cardiomiopatia, sintomas intradialíticos (cãibras, hipotensão e arritmia cardíaca).

A suplementação de carnitina em pacientes em diálise parece ser interessante para repor a carnitina perdida, reequilibrando o pool de carnitina plasmática, pode reparar os níveis de carnitina muscular e melhorar a função energética do paciente. Contudo, o Consenso Europeu sobre estado nutricional de pacientes submetidos à homodiálise ainda não é a favor da suplementação de carnitina e sugere que mais estudos sejam realizados para comprovar a suplementação nestes pacientes.

Geralmente, para o tratamento da deficiência de carnitina, sugere-se a aplicação de L-carnitina intravenosa (10-20 mg por kg, três vezes por semana após o final de cada sessão de hemodiálise). A via intravenosa é a mais indicada neste caso por oferecer carnitina mais biodisponível, onde não haverá metabolização a outras substâncias, como seria o caso da suplementação oral. Para verificar essa possibilidade terapêutica consulte um médico nefrologista.

“Este texto foi escrito por Marcelo Caldas, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail nutricao@sncsalvador.com.br. Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador)”.

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