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Polifenóis e Alzheimer

A Doença de Alzheimer é uma enfermidade neurodegenerativa, de causa desconhecida, que se apresenta como demência ou perda de funções cognitivas, e caracteriza-se pela maciça perda sináptica e pela morte neuronal, com a redução progressiva do volume cerebral. As características histopatológicas presentes no parênquima cerebral de pacientes portadores de Alzheimer incluem a presença de diferentes tipos de placas senis, decorrentes do depósito de proteína β-amiloide, além de novelos neurofibrilares (NFT), oriundos da hiperfosforilação da proteína Tau.

Nos últimos anos, a relação entre o estresse oxidativo e o potencial terapêutico de substâncias antioxidantes vêm sendo estudados em diversas doenças neurodegenerativas, incluindo a Doença de Alzheimer. As espécies reativas de oxigênio e nitrogênio produzidas intracelularmente e extracelularmente estão entre os principais fatores de riscos intermediários, os quais iniciam e promovem a neurodegeneração na doença de Alzheimer.

Em comparação a outros tecidos, o cérebro possui grande probabilidade de ser afetado por radicais livres, pois consome mais de 20% de todo o oxigênio utilizado por outros órgãos durante a respiração celular. No envelhecimento, o cérebro se torna cada vez mais susceptível ao estresse oxidativo, devido ao acúmulo de metais de transição redox-ativos e à modificações na expressão de diversos genes, incluindo os que codificam enzimas antioxidantes.

Diante deste cenário, a ciência têm se dedicado a estudar os efeitos de compostos bioativos provenientes da dieta, que possuem ação antioxidante e são potenciais agentes protetores contra doenças neurodegenerativas. Os polifenóis são metabólitos secundários de vegetais, essenciais para sua fisiologia, contribuindo para sua pigmentação, crescimento, reprodução e resistência à patógenos e predadores. São um grupo diverso de compostos químicos, divididos em cerca de dez categorias, como flavonoides, fenilpropanóides, curcuminoides, estilbenos e lignanas, encontrados em alimentos como frutas, hortaliças, chás, vinhos, chocolates e especiarias. Dentre os mais estudados, estão as catequinas do chá verde, o resveratrol, encontrado em uvas e no vinho tinto e as antocianinas, presentes nas frutas vermelhas.

Os polifenóis possuem potente ação antioxidante e estão envolvidos em processos como apoptose, transcrição gênica e mecanismos de transdução de sinal. Evidências em animais relatam a capacidade de alguns polifenóis, como as catequinas, de atravessar a barreira hematoencefálica. Estudos em modelos in vivo e in vitro de Alzheimer mostraram, ainda, atividade neuroprotetora e anti-amiloidogênica dos polifenóis.

Além do estresse oxidativo, a inflamação também é um importante fator associado ao Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas e foi mostrado que os polifenóis diminuíram a ativação dos fatores de transcrição NF-κB e AP-1, além de estarem envolvidos em outros mecanismos relacionados ao processo inflamatório.

O potencial antioxidante dos polifenóis já é amplamente estudado e elucidado cientificamente, e seus outros benefícios neuroprotetores também trazem excelentes perspectivas para que esses compostos sejam utilizados como estratégia nutricional na prevenção do Alzheimer, e apontam direcionamentos para futuras pesquisas.

Este texto foi escrito por Júlia Canto, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido.

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