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Autismo e probióticos: qual a relação?

O transtorno do espectro autista, mais conhecido como autismo, é designado como uma síndrome comportamental, com alta prevalência na infância. Nesse período, o processo de desenvolvimento infantil é afetado e o indivíduo possui dificuldades de socialização, comunicação e aprendizagem, o que leva a um padrão comportamental repetitivo e restritivo, podendo gerar diversos perfis cognitivos que variam entre o atraso mental ou níveis de inteligência acima da média, além de apresentar diversos sintomas como isolamento social devido à dificuldade de interação e comunicação, comportamentos repetitivos como bater palmas e balançar-se, reações de apego a determinado objetivos, resistência por mudanças, além de comportamentos letárgicos ou hiperativos.

Esse comportamento repetitivo e restritivo também é aplicado a alimentação. Indivíduos autistas possuem muitas desordens alimentares que envolvem aversões a alimentos pela sua textura, cor e odor, além da insistência em comer os mesmos alimentos e recusa em provar novos. Além disso, há uma grande preferência por alimentos industrializados e processados, o que consequentemente está associado a deficiência de nutrientes importantes para várias funções no organismo, aumentando também o risco de sobrepeso e obesidade nesse público.

Toda essa condição torna o intestino do indivíduo autista disbiótico, sendo que este já possui maior susceptibilidade a anormalidades gastrointestinais devido a própria condição do autismo, que é caracterizado pela colonização de bactérias Gram negativas que se alimentam dos carboidratos mais simples, principalmente o açúcar, e aumenta a dismotilidade intestinal causando aumento da inflamação e disfunção das células intestinais, conhecidas como enterócitos, tornando-as muito permeáveis, dificultando a absorção de alguns nutrientes e facilitando a passagens de alguns patógenos, o que também reduz o sistema imunológico.

Os probióticos são microrganismos vivos, sendo os lactobacilos e bifidobactérias as linhagens mais estudadas, que alteram de forma benéfica a saúde por modificar a função intestinal, tornando o ambiente mais saudável. Eles melhoram a permeabilidade e integridade intestinal por estabilizar os enterócitos, além de estimular a síntese de substâncias antioxidantes e reduzir o crescimento de bactérias maléficas a saúde. Essas propriedades atribuídas aos probióticos reduzem processos inflamatórios e modulam o sistema imunológico por melhorar a função de células imunes, já que grande parte destas se encontram no intestino.

A suplementação de probióticos para indivíduos autistas pode melhorar diversos parâmetros como redução de sintomas gastrointestinais e comportamentais, como foi observado em um estudo onde avaliou essa suplementação em crianças autistas e foi percebido a redução do sobrepeso, aumento das bactérias benéficas ao organismo, melhora de comportamentos sociais e cognitivos, linguagem e os sintomas gastrointestinais como dor abdominal, flatulência e ritmo intestinal, possuindo grande impacto na melhora da qualidade de vida dessas pessoas. Para isso, é muito importante um acompanhamento nutricional a fim de analisar quais as necessidades específicas de cada um.

Este texto foi escrito por Isabel Oliveira, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido.

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