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Caseína: o que é, de onde vem e o que faz?

Para compreender mais sobre a caseína, é importante voltar um pouco no tempo e conhecer sobre a origem e como este tão falado suplemento é obtido. Logo de inicio é interessante informar, ou relembrar, que ela é derivada da fração proteica do leite, alimento fonte de proteína de alto valor biológico.

De onde vem a caseína?

Leite bovino e derivados estão entre os alimentos mais consumidos em todo o mundo e são uma das principais fontes de proteínas dos seres humanos. É também um dos que mais trazem benefícios para praticantes de atividades físicas.

Entre os alimentos que derivam do leite estão os iogurtes, queijos e manteiga, além do famoso whey protein (suplemento mais querido entre os esportistas) e a caseína.

Seguindo o mesmo padrão que sua fonte de origem, há bastante conflito sobre o consumo ou não da caseína. Há a corrente que defende, aprova e recomenda a utilização, com argumentos que giram desde o poder de saciedade até a oferta prolongada de aminoácidos. Mas há grupos que condenam com veemência a prática, sob alegações de possíveis potenciais inflamatórios e alergênicos, e outras justificativas mais questionáveis como a que “cada espécie produz leite apenas para sua própria categoria, que leite é apenas para recém-nascidos e que não se vê outros animais adultos consumindo leite”.

O leite de vaca é composto por água (responsável por quase 90% da composição), gorduras, carboidratos, proteínas, vitaminas e minerais. Sendo assim, temos disponível um alimento com uma composição extremamente interessante e muito completo.

Na fração que compreende as proteínas, cerca de 3,5%, há uma divisão de caseína e o soro do leite, sendo que 80% dela é composta pela caseína e os 20% restantes são o whey protein.

Como é a caseína?

Ela, que representa a maior parte da fração proteica do leite de vaca, é encontrada na forma de micelas, um aglomerado de moléculas com estrutura globular, onde a parte hidrofóbica fica exposta e isso a torna insolúvel em água, dificultando a digestibilidade e promovendo maior saciedade. Quando ela chega ao estômago, há a formação de “blocos” de proteína e o organismo tem mais dificuldade na digestão e absorção. Então, o esvaziamento gástrico é mais lento dando sensação de saciedade por mais tempo ao indivíduo.

Caseína e inflamação

A inflamação é um processo biológico que regula a interação entre organismo e o ambiente, incluindo a dieta. Uma das principais expressões do organismo humano é a capacidade de montar uma cadeia inflamatória aos estímulos injuriosos. Ou seja, o processo inflamatório é uma resposta do organismo frente a uma injúria. Para identifica-la há algumas características que são notadas: dor, calor, rubor/vermelhidão, edema e até a perda da função do local inflamado.

A IL-8 e o TNF (fator de necrose tumoral na tradução do inglês para o português), vêm se estabelecendo como importantes marcadores inflamatórios e são mencionados como fatores relevantes nas doenças inflamatórias intestinais, como a síndrome do intestino irritável e doença do Crohn.

Em um estudo realizado em 2014, Mukhopadhya e colaboradores, avaliaram os efeitos anti-inflamatórios do caseinato de sódio, para observar as possíveis interferências inflamatórias. No resultado foi demonstrada uma consistente ação anti-inflamatória, associadas a redução de IL-8 e demais citocinas pró inflamatórias.

Um outro estudo, produzido por Manning e colaboradores em 2013, selecionou mulheres obesas e as dividiu em 3 grupos que seriam suplementados com: caseína, batata em pó e caseína com batata em pó. No resultado foi verificado que não houve alterações significativas em marcadores inflamatórios, como IL-8, em nenhum dos três grupos.

Fekete e colaboradores foram ainda mais longe, em 2016, quando verificaram que os níveis de triglicerídeos foram reduzidos em consumidores de caseína. Apesar de não estarem claramente elucidados os componentes associados a essa melhora, os peptídeos bioativos da caseína tem sido propostos como agentes de grande importância.

Já foram comprovados os benefícios que o consumo do suplemento pode promover no organismo humano, o alto valor biológico, promoção de aminoácidos essenciais para o bom funcionamento do organismo, eficaz na manutenção da aminoacidemia e na saciedade, especialmente em momentos que o indivíduo passa mais tempo sem se alimentar, como durante o sono. Além disso, muitos estudos desmistificam alguns argumentos negativos sobre a caseína, que acabaram sendo disseminados ao longo dos anos, mas que cientificamente não corroboram com os resultados.

É importante lembrar que há pessoas que tem intolerâncias e/ou alergias alimentares, inclusive a proteínas e carboidratos encontrados nos leites e derivados, inclusive a caseína. Para os acometidos por esses distúrbios, não é indicado o consumo e deve-se procurar ajuda profissional, para que seja indicada a melhor forma de tratamento e conduta.

Busque sempre um nutricionista para avaliar e identificar as suas particularidades alimentares e traçar o melhor planejamento individualizado.

Este texto foi escrito por João Pedro Gantois, baseado em artigos científicos. Todo o material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido.

Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail nutricao@sncsalvador.com.br.

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