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Nutrição: uma potente arma contra o câncer.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o câncer é um problema de saúde pública mundial, especialmente entre os países em desenvolvimento, sendo estimados 20 milhões de casos novos para 2025. A crescente incidência de pacientes oncológicos é reflexo da elevada exposição a diversos fatores de risco que contribuem, direta e indiretamente, com o aumento do risco global para o desenvolvimento de câncer. Apesar de ser crescente o número de indivíduos diagnosticados, acredita-se que 1/3 dos casos poderiam ser evitados. Para tanto, é necessário a incorporação de novos hábitos ao estilo de vida para que as defesas orgânicas possam estar aptas para o combate contra as células capazes de desenvolver uma massa tumoral.

Alguns fatores de risco são clássicos e conhecidos como a obesidade, a exposição indevida à radiação solar e nuclear, o uso de agentes químicos industriais ou mesmo tintura para cabelo, o etilismo, o tabagismo e a dieta inadequada. Entre os nutrientes com respaldo científico para ser manipulado em paciente oncológicos, a vitamina D tem um grande destaque, com maior relevância na sua deficiência. Estudos publicados concluem que níveis adequados de vitamina D no pré e durante o tratamento se correlacionam com melhora significativa na sobrevida geral, redução de doenças e de recorrência para cânceres de mama, colorretal e pulmão. Além disso a literatura também cita benefícios para pacientes com níveis mais elevados dessa vitamina no momento da cirurgia.

O HMB (beta-hidroxi – beta-metilbutirato) é outro composto extremamente importante em virtude do seu efeito inibitório sobre as vias responsáveis pela proteólise (quebra de proteínas) em células musculares esqueléticas. Capaz de regular a cascata de degradação proteica através da atenuação do fator indutor de proteólise secretado pelas células neoplásicas, ele reduz a depleção de proteínas, estimula a síntese proteica e o reparo muscular. Recentemente, uma revisão sistemática ressaltou que o HMB na dosagem de 3 g/dia mostrou um aumento da massa corporal magra e menor astenia após quatro semanas em pacientes caquéticos com tumores sólidos avançados.

Assim como o exercício físico, existem compostos bioativos de alimentos (como o resveratrol) capazes de ativar os genes que estimulam a biogênese ribossomal e inibem a síntese de citocinas pró-inflamatórias, uma das principais vias responsáveis pela metástase. Estudos experimentais com a suplementação de resveratrol resultou em diminuição da proliferação celular, avaliada pelo índice de proliferação Ki67 em pacientes com câncer colorretal.

Outro dado interessante envolve o BCAA (aminoácidos de cadeia ramificada), em estudo, autores encontraram uma supressão significativa da hipoalbuminemia que é um indicativo do hipercatabolismo associado ao câncer, e menores níveis de proteína C reativa, um indicativo de inflamação quando em níveis elevados, atribuindo ao BCAA efeito anticatabólico e anti-inflamatório.

Um fator de risco atualmente citado também é o estado disbiótico (desequilíbrio causado pela diminuição do número de bactérias boas do intestino e aumento das bactérias capazes de causar doença). A microbiota intestinal, ao sofrer distúrbios, pode trazer sérios prejuízos, como a multiplicação de microrganismos patogênicos causadores de doenças. Isso pode ser prevenido com a ingestão de probióticos, que são capazes de controlar a multiplicação dessas bactérias indesejáveis. O desenvolvimento do câncer de cólon e sua ligação com a disbiose está começando a ser explorada. Pesquisadores descobriram que os agentes potencialmente carcinogênicos, como: aflatoxinas, corantes de alimentos, nitritos, pesticidas e outros agentes carcinogênicos, presentes em substâncias que não são alimentos, como medicações e tabacos sem fumaça, são bioativados por sistemas de enzimas das bactérias intestinais. Estas bioativações, que podem levar ao câncer, são promovidas numa velocidade maior nos sistemas gastrointestinais com populações microbianas desequilibradas.

Contudo, a existência de estratégias alimentares e suplementares capazes de reduzir o risco e auxiliar na terapia do câncer não isenta a necessidade do acompanhamento de profissionais habilitados para tal, apenas eles são capazes de traçar medidas individualizadas e determinar a real necessidade.

Este texto foi escrito por Glauber Henriques, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail: nutricao@sncsalvador.com.br. Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador).

2 comentário

Thainá 27 de agosto de 2018 at 20:44

Muito bom o texto, parabéns Glauber você abordou um tema de grande importância e que as pessoas precisam saber mais sobre o assunto no qual é pouco abordado quando se trata da nutrição em pacientes oncológicos.

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Glauber Henriques 4 de setembro de 2018 at 15:57

Obrigado Thainá!

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