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Orlistate x Quitosana

As doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) são as principais causas de morte no mundo. Doenças como o Diabetes, Hipertensão Arterial e Obesidade cresceram de forma significativa nos últimos anos e a previsão é de que esse número aumente ainda mais.

Um dos principais fatores para o aumento das DNCTs são os maus hábitos alimentares e o sedentarismo, gerados principalmente pelo ritmo de vida acelerado. No contexto alimentar, as gorduras sempre foram consideradas vilãs na gênese da obesidade, porém, elas exercem um papel importante na homeostase humana e sua ingestão de maneira equilibrada é essencial para uma vida saudável.

Atualmente existem substâncias capazes de reduzir a absorção de gordura corporal sendo muito prescritas com a finalidade de emagrecimento. As substâncias mais conhecidas são o Orlistate (fármaco) e a Quitosana (suplemento alimentar).

O orlistate é um fármaco indicado por médicos para tratamento de indivíduos com sobrepeso e obesidade, pois impede a ação das lipases (enzimas que digerem lipídios), fazendo com que, aproximadamente, 30% de gordura alimentar não sejam absorvidas.

Já a quitosana é um polissacarídeo catiônico, considerado na nutrição uma fibra natural, encontrada nas cascas de crustáceos (caranguejo, camarão e lagosta) e possui capacidade de se ligar à gordura, impedindo sua absorção.

Os indivíduos que fazem a utilização de orlistate, comumente apresentam gordura nas fezes, flatulências com perdas oleosas, aumento das evacuações, desconforto e dor abdominal, gazes, dor de cabeça e até hipoglicemia.

Já as reações adversas apresentadas pela quitosana são menores, pessoas em uso de quitosana podem apresentar casos raros de náuseas e diarréia. Por isso, a utilização da quitosana como estratégia pontual (maior consumo de gordura em uma refeição), pode ser uma estratégia interessante a fim de minimizar os impactos dos dias atípicos no contexto geral da dieta.

Comparando a efetividade e os efeitos colaterais, a quitosana parece ser uma alternativa mais segura do que o orlistate. Além disso, como todo fármaco, o orlistate só pode ser usado quando prescrito pelo médico.

Como agem reduzindo a absorção de qualquer tipo de gordura dietética, esse bloqueio pode gerar maior déficit calórico, auxiliando no emagrecimento. Porém, o consumo em longo prazo, pode resultar em déficit de gorduras necessárias para o adequado funcionamento do organismo e de vitaminas lipossolúveis, e gerar letargia, indisposição, cansaço mental e dificuldade na perda de peso.

O objetivo da nutrição é sempre a reeducação alimentar, auxiliar o desenvolvimento da autonomia do indivíduo para que este consiga fazer escolhas melhores e mais nutritivas. Quando o tratamento consiste na oferta de redutores de absorção de gordura sem consciência alimentar, o resultado será passageiro ou poderá não acontecer. Diante disso, antes de adotar qualquer estratégia para emagrecimento, procure um nutricionista.

“Este texto foi escrito por Marcelo Caldas, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail nutricao@sncsalvador.com.br. Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador)”.

 

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