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Nutrição e microbiota intestinal

Ultimamente, tem-se notado um aumento da preocupação com a saúde da microbiota intestinal, principalmente devido a evidentes inter-relações entre a microbiota e seu efeito conectivo com o perfil saúde/doença. Essa relação permite que seja compreendida algumas das discrepâncias que vêm incomodando o mundo cientifico no ramo da nutrição, explicando por exemplo a variabilidade de resultados encontrado em resposta à dieta, mesmo quando condições aparentemente semelhantes são observadas.
A contribuição da dieta como modulador da microbiota é evidente desde o início da vida. Quando são ingeridos os oligossacarídeos do leite humano, há maturação do microbioma na infância, seguido por um aumento da riqueza bacteriana consequente a introdução dos alimentos sólidos, e no envelhecimento a redução da diversidade de alimentos promove a diminuição da riqueza desse conjunto de bactérias, sendo essa situação uma provável justificativa para o estado fragilizado nesse grupo da população.
Entretanto, os membros que compõe a microbiota intestinal não são sensíveis apenas às proporções de certos componentes alimentares, mas também respondem de forma diretamente proporcional em relação ao tempo de exposição a determinada modulação nutricional e contextos geográficos.
Os nutrientes podem interagir diretamente promovendo ou inibindo o crescimento bacteriano. A capacidade de extrair energia dos componentes alimentares específicos confere uma vantagem competitiva para os membros selecionados da comunidade microbiana do intestino. Este aspecto nos mostra que a dieta não só afeta a abundância de bactérias intestinais, mas também a sua cinética de crescimento. Nesse contexto, os nutrientes centrais são os prebióticos (fibras específicas), considerados alimento para as bactérias intestinais.
Contudo a nutrição ainda pode modular a saúde microbiana através de mecanismos indiretos. A deficiência de vitamina A aguda, por exemplo, induz um desequilíbrio bacteriano em ratos. Já a vitamina D que é necessária para a manutenção da integridade da mucosa intestinal e uma dieta equilibrada quanto a relação de ômega-6 e ômega-3 (que exercem um papel importante na manutenção de respostas reguladoras do sistema imunológico) são importantes na manutenção da homeostase no intestino, portanto, deficiências de ômega 3 e vitamina D levam a inflamação intestinal e a disbiose.
Outra forma de modular a saúde do microbioma é através da transferência passiva. Isso pode ser feito através da ingestão de bactérias (probióticos), introduzindo-as no ecossistema intestinal. Entretanto, a efetividade depende da saúde em que se encontra o intestino antes da “transferência” e da rotina alimentar adequada.
Buscar uma melhor saúde do microbioma intestinal é um passo fundamental para otimizar qualquer resultado. É preciso estar atento a complexidade de fatores que são potencialmente capazes de gerirem alterações nesse sistema, como dietas restritas sem acompanhamento. Dessa forma o papel do nutricionista é fundamental para que todo processo aconteça.

Este texto foi escrito por Glauber Henriques, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail: nutricao@sncsalvador.com.br. Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador).

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