Health Nutrition

Ácidos Graxos Essenciais

Dentre os macronutrientes, os lipídios (gorduras), sem dúvidas são os mais crucificados e temidos. Contudo, é uma forma muito injusta, e um tanto quanto “terrorista” de se pensar sobre esse nutriente.

As gorduras desempenham muitas funções vitais em nosso organismo e uma delas é servir de isolante térmico para a proteção do frio. Além disso, é uma reserva de energia importante em momentos de repouso, jejum e durante a prática de exercícios físicos.

O que é preciso estar atento, é quanto ao tipo de gordura e as quantidades utilizadas na dieta. As gorduras trans são totalmente dispensáveis em nossa alimentação. Em produtos altamente processados industrializados, possivelmente você encontrará nos rótulos a presença de gordura vegetal, gordura hidrogenada ou margarina. São esses tipos de alimentos que devemos ter um controle rígido em nossa dieta, porque essas gorduras não contribuem de forma positiva para o nosso organismo.

Por outro lado, temos as gorduras que devem estar presente em nossa rotina alimentar, pois são tidas como Ácidos Graxos Essenciais (AGEs). E se são essenciais, nós não produzimos, então devemos buscar esses nutrientes da alimentação principalmente, ou através da suplementação em alguns casos.

Os tão conhecidos ômegas 6 e 3 fazem parte desse grupo de AGEs. A relação entre a saúde cardiovascular e a ingestão nas proporções ideais de ômega 6 e ômega 3 é muito estudada. Com a transição alimentar, atrelada ao alto consumo de produtos industrializados, atualmente essa proporção tem sido descrita numa média de 10:1, 20:1 e até mesmo 50:1, quando o ideal preconizado por organizações internacionais de saúde é de 4:1.

Esse desequilíbrio tem uma grande associação com a maior incidência de doenças cardiovasculares (maior causa de morte no Brasil), já que a alta ingestão de fontes desinteressantes de ômega 6 aumenta a produção de substâncias inflamatórias com grande potencial vasoconstritor e agregador plaquetário.

Já o ômega 3, quando consumido, possui um efeito contrário ao excesso do ômega 6, por conta de sua metabolização gerar compostos menos inflamatórios, substâncias vasodilatadoras e fatores anti-agregadores plaquetários.

É importante salientar que o estado de saúde influencia na metabolização desses dois ácidos graxos. Isso porque tanto o ômega 6, quanto o ômega 3, dependem das mesmas enzimas para serem metabolizados.

Diabéticos, fumantes, abusadores de bebidas alcoólicas e pessoas sob constante situações de estresse, mesmo com uma dieta equilibrada em ômega 6 e ômega 3 são mais suscetíveis em produzirem os metabólitos inflamatórios advindos do ômega 6. Desta forma, para esses indivíduos, o aumento da ingestão de ômega 3 é recomendado para modular um ambiente menos inflamatório.

Em situações de normalidade fisiológica, e dentro de um equilíbrio alimentar, esse ômega 6 traz benefícios, não sendo metabolizado de forma que produza esses compostos negativos. Inclusive, algumas fontes de ômega 6 trazem melhora no perfil glicídico como o óleo de cártamo, e até mesmo ajudam nos sintomas da síndrome pré-menstrual (TPM), como é o caso do óleo de prímula, borragem e groselha negra por exemplo.

Se o nosso estado de saúde é capaz de influenciar como um nutriente vai se comportar em nosso corpo, é muito importante ser guiado por um profissional da área de nutrição. Não arrisque sua saúde seguindo dietas da moda, consulte-se com um nutricionista!

“Este texto foi escrito por Bryan Stolze, integrante da equipe de nutrição da SNC-Salvador, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido. Se você ficou com alguma dúvida entre em contato conosco pelo e-mail: nutricao@sncsalvador.com.br. Respeite nosso material intelectual. Sempre que usar nossos textos mencione o nome do autor e do site, por favor. Acompanhe-nos nas redes sociais e não perca nenhuma notícia e/ou promoção (busque por sncsalvador).”

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