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TPM E DESEJO POR DOCES : ENTENDA.

O ciclo menstrual pode ser definido como um processo fisiológico normal que ocorre de maneira cíclica em mulheres na idade fértil. A ocorrência da menstruação durante o ciclo feminino indica a funcionalidade do ciclo menstrual,o qual é coordenado pelo eixo hipotálamo-hipófisegonadal e é influenciado por mudanças fisiológicas que ocorrem durante a vida . Na maioria das mulheres, o ciclo menstrual dura 28 dias, onde o dia do começo da menstruação é geralmente referido como o primeiro dia de todo o ciclo.

Os hormônios que regulam o ciclo menstrual são o Hormônio Liberador de Gonadotrofinas (GnRH),  Hormônio Folículo Estimulante (FSH), Hormônio Luteinizante (LH), Progesterona e Estrogênio. O ciclo menstrual é caracterizado por algumas fases:

01)  Fase folicular : É a descamação da parede do útero, quando não há a presença de um feto, o útero que estava preparado se renova. É caracterizado pelos níveis aumentados de FHS circulante, o qual estimula o crescimento do folículo. Níveis plasmáticos de LH, estradiol e progesterona estão em níveis baixos nesta fase.

02 ) Fase ovulatória : Ocorre entre os dias 10 e 14; há um pico de LH, induzindo a ovulação.Quando ocorre a ovulação, a progesterona é secretada e sua concentração aumenta até alcançar seu pico no meio da fase lútea ao mesmo em que o LH e o FSH retornam aos seus níveis plasmáticos prévios.

03) Fase lútea: inicia no fim da ovulação e dura até o início do fluxo menstrual. O folículo vazio se transforma em um corpo lúteo. As células do corpo lúteo produzem estrogênio e grandes quantidades de progesterona. A progesterona estimula a camada interna do útero para se prepararpara o óvulo fecundado.

Os efeitos do ciclo menstrual no estado emocional e função cognitiva são longamente conhecidos, fato facilmente confirmado pela observação de um número significante de estudos que mostram maneiras diversas com que as mulheres lidam com o impacto destes efeitos no período pré-menstrual, sendo a tensão pré-menstrual (TPM) uma condição comum caracterizada pela exacerbação dos sintomas físicos e comportamentais durante a fase lútea do ciclo menstrual, que ocorre em algumas mulheres. A TPM, ou Síndrome Pré-Menstrual (SPM), se caracteriza pelo conjunto de sensações que ocorrem cerca de 10 dias antes do início do ciclo menstrual. Segundo dados do Ministério da Saúde, a TPM atinge mais de 70% das mulheres brasileiras.

Características fisiológicas e psicológicas particulares do ciclo menstrual e da TPM podem influenciar a expressão do apetite através de uma série de mecanismos e processos que influenciam o controle do consumo alimentar. O aumento do apetite e do desejo pela comida são considerados sintomas característicos da TPM. O apetite é representado por aspectos qualitativos, como escolha do alimento, preferências alimentares e apreciação de aspectos sensoriais do alimento (gosto, palatabilidade).
As flutuações hormonais características de cada fase do ciclo promovem mudanças no balanço energético. O aumento dos níveis de progesterona característico da fase pré-menstrual causa consequente aumento da ingestão alimentar, podendo resultar em aumento da ingestão calórica diária nesta fase. Na fase pós-menstrual o estrogênio encontra-se mais alto e não ocasiona balanço energético positivo, pois não influencia a procura por alimentos que suprimem a falta de certos hormônios do prazer e satisfação (dopamina, serotonina). A deficiência de alguns nutrientes tem sido associada aos distúrbios da TPM, e a suplementação tem sido preconizada por alguns autores: vitamina B6 ; vitamina A ; vitamina E ; manganês; magnésio ; cálcio.

Há argumentos que desejos por alimentos em particular (chocolates ricos em carboidratos e triptofano), ocorrem em resposta à diminuição dos níveis de serotonina no cérebro, foi sugerido que esse efeito pode ter sido um mecanismo adaptativo para compensar a falta do neurotransmissor durante a TPM. Portanto, aumentar a ingestão de carboidratos serve como uma forma de automedicação com o objetivo de aliviar o mal-humor. Foi postulado também que o consumo de refeições ricas em carboidratos aumentam a disponibilização de triptofano (precursor da serotonina) no cérebro, já que o seu consumo está atrelado a menor competição do triptofano com outros aminoácidos (tirosina, fenilalanina e os BCCAs)  na barreira hematoencefálica,  aumentando a síntese de serotonina, assim como sua concentração e maior sensibilidade nos seus receptores. O consumo de carboidratos pode atuar como uma resposta compensatória para as flutuações dos níveis de serotonina durante o ciclo menstrual, mas é necessário cuidado no consumo.

Portanto, conhecer a fisiologia da mulher é de suma importância para o entendimento dos eventos que ocorrem diariamente. Promover o equilíbrio nutricional, evitando carência de nutrientes fundamentais para o bom funcionamento do corpo está diretamente ligado com a melhora do humor  e a vontade de comer besteiras. Procure um nutricionista!

Este texto foi escrito por Felipe Cyrino, baseado em artigos científicos. Todo material utilizado pode ser disponibilizado quando requerido.
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